O educar até passa pelo ensino... Apenas passa. Está centrado mesmo é no ser. Bem mais que reflexão, educação é reflexo.
Reforma no ensino de português nas escolas
Também acredito na necessidade de
uma reforma no ensino brasileiro. Tenho ouvido falar demais ultimamente em
"luta para implantar uma escola de tempo integral no Brasil" como se
mais fosse sinônimo de melhor. Não seria mais urgente fazer funcionar a escola
no horário regular?
Um sistema de ensino que ainda
prima por fazer o aluno remoer o que engoliu nunca funcionou e muito menos
funcionará para uma geração consciente de sua inteligência, exposta a uma
grande quantidade de informação e com acesso a algo tão interessante quanto o
mundo virtual. É necessário respeitar a inteligência do aluno ensinando aquilo
que realmente se transformará em conhecimento e orientando-o a utilizar as
ferramentas necessárias.
No caso do ensino da língua
portuguesa deveria se concentrar no foco “ler e escrever bem”. Isso, partindo
de um conceito de ler (decodificar+acionar e relacionar conhecimentos prévios+
entender) e escrever (dominar variedades linguísticas+ gêneros textuais para
bem comunicar ideias).
Concordo com o pensamento de que
gramática devia ser estudada era na Letras. O que se vê hoje é uma insistência
em ensinar gramática sistematicamente no ensino regular e, na Letras, estimular
a vivência da leitura e escrita em sua plenitude. Inversão total. O que deveria
ser direito de todos é a vivência da leitura e escrita em sua plenitude e,
dever e parte da profissão do professor de português o domínio da gramática. Tal inversão resulta em dois problemas. O primeiro
é o alto número analfabeto funcional. O segundo é o pouco domínio dos
profissionais das Letras sobre o conteúdo uma vez que, as faculdades de letras
pressupõe que seu aluno já sabe o suficiente de gramática por ter tido contato
com a mesma durante toda a vida escolar sem levar em conta que determinados
conteúdos exige maturidade para que a pessoa possa realmente se apropriar dele.
PROJETO PREMIO EDUCAÇÃO FIAT- Júlia Marques
Objetivos 2: Educação Básica de Qualidade para todos.
O trabalho escolhido para contribuir com esse objetivo foi a Elaboração e Distribuição dos Adesivos " Educação de Qualidade para todos começa com criança na escola.
O trabalho escolhido para contribuir com esse objetivo foi a Elaboração e Distribuição dos Adesivos " Educação de Qualidade para todos começa com criança na escola.
Nossas ações:
Reunimos com o professor resposável pela área de sustentabilidade na escola e convidamostambém alguns alunos para participar da ação. Divulgamos a campanha e arrecadamos as doações. Reunimos a equipe de contação de história e selecionamos uma historia para ser encenada para as crianças no dia da entrega de doação. A história selecionada foi "Jeca Tatu" de Monteiro Lobato.
Nossas Mudanças:
Participaram desse projeto xxx alunos da Escola de Tempo Complementar de Português e Voluntariado. O projeto que durou três semanas , possibilitou um dia de diversão para as crianças da creche e de apredizado para nós. Aprendemos a importancia de ser voluntário e que podemos ajudar a melhorar aqualidade de vida das pessoas com pequenas atitudes.
Como produtor do projeto procurei participar ainda mais que os outros alunos------
Projeto
Objetivo7: Qualidade de Vida e Respeito ao Meio Ambiente
O trabalho escolhido para contribuir com esse objetivo foi levar doações e contar histórias para crianças de uma creche em uma comunidade carente.
Nossas ações:
Nossas Mudanças:
Objetivo7: Qualidade de Vida e Respeito ao Meio Ambiente
O trabalho escolhido para contribuir com esse objetivo foi levar doações e contar histórias para crianças de uma creche em uma comunidade carente.
Nossas ações:
Reunimos com o professor resposável pela área de sustentabilidade na escola e convidamostambém alguns alunos para participar da ação. Divulgamos a campanha e arrecadamos as doações. Reunimos a equipe de contação de história e selecionamos uma historia para ser encenada para as crianças no dia da entrega de doação. A história selecionada foi "Jeca Tatu" de Monteiro Lobato.
Nossas Mudanças:
Participaram desse projeto xxx alunos da Escola de Tempo Complementar de Português e Voluntariado. O projeto que durou três semanas , possibilitou um dia de diversão para as crianças da creche e de apredizado para nós. Aprendemos a importancia de ser voluntário e que podemos ajudar a melhorar aqualidade de vida das pessoas com pequenas atitudes.
Aparências
Livro FOMOS MAUS ALUNOS (Gilberto Dimenstein e Rubem Alves)
Debate entre autoridades no assunto de sustentabilidade e os meus alunos que participam do projeto sobre o tema na escola. Conheço cada um. Acredito neles. Alguns já estão bem maduros e críticos para a pouca idade.
Uma aluna toma a palavra. Fala muito bem e no momento critica o consumismo, a publicidade, a falta de comprometimento das autoridades...Um dos palestrantes vira para mim e parabeniza. Nas palavras dele está ali uma garota consciente. Incomodada, penso em como a aluna se comporta. Ela é a aluna mais “Paty” e que menos envolvida no assunto. Procuro com os olhos a melhor aluna da disciplina e ela anota a todo o tempo, presta atenção e já faz um bom tempo que está com a mão levantada pedindo a palavra. Quer ser jornalista quando crescer.
Antes que o palestrante lhe dê a palavra a outra já lembrou de outra informação e sobrepôs à palavra dos colegas e palestrante. Final de palestra. A aluna que levantou a mão para pedir a palavra, que praticava o que falava falou uma vez e logo foi interrompida pela ansiedade que a outra tinha de mostrar que sabia do assunto. A aluna que mais falou recebe elogios, é o centro das atenções. Escuto até dizerem que deveria ser eleita...é acredito que ela daria uma ótima política...
Pena...a aluna esclarecida, engajada e responsável ainda não aprendera a maldade da vida...o jogo da vida...
Denize Saraiva
Livro FOMOS MAUS ALUNOS (Gilberto Dimenstein e Rubem Alves)
O livro discute bastante a questão do descompasso entre os programas pelos quais os dois autores passaram em seus estudos e os seus interesses. É feito uma crítica ao fato da escola levar ao pé da letra o termo Aluno originado do latim alumini “sem luz”. Os autores questionam o porquê de terem sido nota O na escola e 10 na vida.
Há também críticas em vários momentos ao toque da campainha que obriga os alunos, num clique, Fomos maus alunos, mas, as previsões estavam erradas. Somos referência hoje. Deveríamos nos lembrar disso! Todo o pai e/ou educador devia pensar nisso.
Há ainda uma interessante reflexão sobre hiperatividade: o aluno está explodindo de energia, o mundo é maravilhoso e muito interessante, mas ele é obrigado a seguir um programa atrasado e descontextualizado. Hoje, parece que temos encarado a questão da hiperatividade de uma maneira menos rígida.
Os autores trazem uma reflexão sobre o fato da escola ter sido moldada em função da cultura do livro ( quem tem o poder de ler e entender o livro detém o conhecimento) por isso as provas sem consulta. Eles lembram que hoje temos outra cultura em jogo; isso era válido em uma época que o acesso à informação era privilégio de poucos. E Dimenstein conta uma história engraçada, em que o dono de uma livraria recebeu ligações de escolas, que estavam passando por fiscalização, solicitando a compra de livros… qualquer livro, só para encher a biblioteca!
Há uma reflexão interessante sobre currículos: eles têm sentido para os burocratas que os preparam, não para os alunos, e valem apenas para o futuro (o que você vai ser quando crescer?), nunca para o presente e uma reflexão sobre o porquê do alunos ter que repetir todas as matérias quando é reprovado em uma única. Rubem Alves sugere a extinção dos vestibulares: hoje, provavelmente nenhum de nós seria aprovado num vestibular, e os currículos das escolas acabam muitas vezes sendo programados simplesmente para a aprovação no vestibular.
Dimenstein reflete sobre a velocidade da atualização do conhecimento: antigamente havia apenas alguns antibióticos, hoje existem milhares. Surgem a todo momento teorias que mudam as nossas explicações para as coisas que pareciam explicadas (vivemos recentemente um caso interessante, com a alteração da lista dos planetas do sistema solar, conhecimento que parecia sólido e imutável). Um Prêmio Nobel de física dizia: “A chance de você se manter empregado com o que você aprendeu na faculdade é matematicamente igual a zero.” (p. 104).
Ensinar Aprendendo: Novos Paradigmas na Educação
(Içami Tiba)
Quanto custa para o país um mau governante? Quais são os danos ao planeta provocado por pessoas inescrupulosas? Qual é o mal que causa à sociedade um não-cidadão? Qual é a qualidade de vida de uma pessoa sem estudos?
Estas perguntas nos levam à mesma conclusão: os educadores têm muito trabalho pela frente, pois sob todos os aspectos, é desastrosa a falta que faz a Educação na vida de uma pessoa.
TRABALHO DA EQUIPE ECOSSUSTENTÁVEL SESI/COMAR 2010
se nós mudarmos o mundo muda com a gente...
Se todas fossem iguais a você
Giberto Dimenstein (Folha de SP 22/04/2010 )
A jornalista Vanessa Cabral é uma mãe de classe que média que resolveu matricular seus dois filhos na escola pública (brigadeiro Faria Lima) mais próxima de sua casa, em São Paulo. Muita gente disse que ela estava com algum problema psicológico. A partir daí, montou um blog para relatar sua experiência --o detalhamento está no www.catracalivre.com.br.
Além de montar a blog (de altíssima qualidade, aliás), entrou no conselho da escola e fez um acerto na empresa em que trabalha para ter mais tempo e acompanhar melhor a vida escolar dos filhos. Não é à toa que muito especialista diz que a escola pública perdeu qualidade quando os mais ricos foram para os colégios particulares.
Está aí um dos jeitos de se melhorar, de forma consistente, a educação pública: a participação dos pais, capazes de pressionar a escola e os governantes. Não só pressionar, mas se envolver no aprendizado dos filhos. Para mim, isso é mais importante, muito mais importante, que qualquer reforma educacional.
Daí acredito que se poderia ajudar muito as crianças se cada escola pública tivesse um coordenador para conversar com os pais e com a comunidade, experiência que tem funcionado muito bem em redes públicas dos Estados Unidos e em exemplos isolados no Brasil.
PALESTRA Dr. IÇAMI TIBA
(Importante que todos pais e educadores leiam para entender um pouco mais da realidade dos nossos educandos hoje)
1- A educação NÃO pode ser delegada à escola. Aluno é transitório; filho é para sempre.
2- O quarto NÃO é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar com internet, som, TV, brinquedos à mão.
3-Educar significa: punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó? A punição: condenação judicial deveria ser passar todos os dias durante muitos anos cuidando de pessoas em hospital de queimados.
4- É preciso confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que o professor o xingou tem que ir a escola e ouvir o outro lado, além de testemundas.
5- A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não deve alimentá-la até a próxima refeição que toda a família fizer junta. A criança não pode alterar a regra da casa. A mãe não pode interferir na regra ditada pelo pai e vice-versa. Em casa que tem comida criança não morre de fome. Se ela estiver com fome saberá que tem que comer na hora certa. O adulto tem a responsabilidade de orientar a criança. Ele é quem deve dizer qual é a hora de comer e o que comer de acordo com a refeição. Em hora de almoço não se come biscoitos. Não respeitar isso é assumir a responsabilidade de criar uma pessoa sem valores, sem saúde, sem limites; um delinquente.
6- A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e nal qual será testada. Não significa repetir o que decorou e sim explicar o que entendeu ou falar sobre suas dúvidas.
7-É preciso transmitir aos filhos a idéia de que temos que produzir o máximo que podemos. Na vida, ao contrário da escola, na maioria das vezes não se consegue êxito com 60%.
8- Não pode prometer presente pelo sucesso que é obrigação. Tirar uma nota boa é obrigação, não xingar os mais velhos é obrigação, ser polido é obrigação, passar no vestibular é obrigação. Ganhar um presente por estar sendo sucesso no que é obrigação pode ser surpresa e não um hábito caso contrário corre-se o risco de fazer a criança comercializar atitudes essenciais na formação do seu caráter.
9-Se o filho não aprende ganhando tem que aprender perdendo. Se ganhou um carro ao passar no vestibular tem que saber que poder-a perdê-lo se for mal na faculdade.
10-Quem educa pai e filho é mãe. Os outros começarem a interferir é sinal que algo está falhando e é um bom indicador para ao invés de brigar com os outros sentar e rever seus conceitos e atitudes ao educar.
11- Se os pais engolirem sapos do filho ele pensará que a sociedade também engolirá o que trará grandes problemas de relacionamento para ele no futuro.
12-O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. O filho NÃO pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos da família. O casal tem que deixar no máximo no mesmo nível que eles. A sociedade pagará caro, mas, também seu filho pagará um alto preço por ser educado achando-se o centro do universo. Os filhos mais problemáticos são aqueles que sempre foram criados se achando o foco da família.
13- Fazer todos os gostos do filho não é prova de amor mas de incopetência de educar. Filho não pode decidir coisas de adulto. Se ele quiser ditar como será seu quarto na casa nova impondo luxos, terá que saber quanto isso impactará o orçamento final e ter uma proposta de redução em outros caprichos por determinado tempo.
14- Quem ensina os filhos a mentir são os próprios pais quando não cumprem o combinado com eles. Se por acaso não puder cumprir é dever conversar e negociar.
15-Pais e mãe do nosso século não podem se dar ao luxo de não estar ligado nas informações e tecnologias.
Tem que saber lidar com computador, redes de relacionamentos, usar msn e Skype. No mundo em que a ligação é praticamente gratuita pelo Skype, é inconcebível perder os filhos no mundo porque eles moram longe.
16-Videogames são um perigo: os pais tem que enfatizar como é a realidade; mostrar que na vida real não extem vidas e sim 1 única e mortal vida. Não dá para morrer e reviver, não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida. Os valores no mundo real são muito mais difíceis de se conseguir e dívidas, se não são pagas com a perda da dignidade e do conforto, muitas vezes custam a própria vida.
17-Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa.Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento real da prevenção que a camisinha proporciona.
18-As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca do prazer a qualquer custo. O prazer como FOCO de vida é um erro. Se você leva uma vida com esse foco ele também será o estilo de vida do seu filho.
19-A maconha não produz efeito só quando é utilizada e em quem a utiliza. Mesmo quando sã, a pessoa que é dependente agride e rouba para poder sair da abstinência. É biológico, não muda de pessoa para pessoa. A mãe nesses casos deve virar as costas para o filho e não aceitar as agressões caso estará o ajudando a manter a situação. Não pode ficar tentando dissuadi-lo, tem que dizer que não conversará com ele enquanto ele escolher se tratar.
20-A mãe é incapaz de abandonar o filho. Se soubesse fazê-lo quando necessário o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe o ama incondicionalmente e estará sempre ali, não a respeita.
21- Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou, não deve alterar a voz e corrigir com ódio. Deve dizer que está nervoso e por isso não quer discussão (conversa) até ficar calmo. A calmaria, o pai deve dizer, virá em 2,3,5 dias. Enquanto isso o videogame, as saídas, etc, ficarão suspensos até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.
POR VEZES É DIFÍCIL CUMPRIR O DEVER (educar), MAS, NUNCA É TÃO PENOSO COMO NÃO CUMPRIR. O MAL DOS RELACIONAMENTOS DE HOJE É FINGIRMOS QUE NOS RELACIONAMOS. FICAMOS ESCONDIDOS ATRAVÉS DA SUPERFICIALIDADE DO FINGIMENTO PARA PRESTAMOS CONTA À SOCIEDADE E ACHAMO QUE ISSO SÓ NOS BASTA. MAIS TARDE NOS PERGUNTAMOS O PORQUÊ DE TERMOS JOVENS QUEIMANDO ÍNDIOS, ESPANCANDO OS DIFERENTES, MORRENDO POR OVERDOSE, DEPRESSÃO E SUICÍDIO...
Não dá para nós, educadores, lermos tudo isso e acreditarmos que não temos responsabilidade na educação dos nossos alunos. Se levarmos em consideração a nova exigência sobre as mulheres hoje, a realidade dos pais que trabalham em mais de um horário na ansiedade de cumprir o que a mídia e a publicidade apregoa que seus filhos precisam para serem felizes (TER), não conseguiremos acreditar que fizemos nossa parte simplesmente batendo cartão.
Denize Saraiva
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CONTO " NÓIS MUDEMO"
( Que tipo de educadores somos? O que é ensinar para nós? Ditar nomeclatura e regras ou ensinar a usá-las de acordo com a realidade dos nossos alunos? Como tratamos as diferenças em sala de aula? (Para refletir)
Denize Saraiva)
O ônibus da transbrasiliana deslizava pela Belém-Brasília rumo a Porto Nacional . Era abril , mês das derradeiras chuvas . No céu , uma luazona enorme pra namorado nenhum botar defeito . Sob o luar generoso , o cerrado verdejante era um presépio , todo poesia e misticismo .
Mas minha alma estava profundamente amargurada . O encontro daquela tarde , a visão daquele jovem marcado pelo sofrimento , precocemente envelhecido , a crua recordação de um episódio que parecia tão banal... til . Meus olhos percorriam a paisagem enluarada , mas ela nada mais era para mim que o pano de fundo de um drama estúpido e trágico .
As aulas tinham começado numa segunda-feira . Escola de periferia , classes heterogêneas , retardatários . Entre eles , uma criança crescida , quase um rapaz .
- Por que você faltou esses dias todos ?
- É que nóis mudemo onti, fessora . Nóis veio da fazenda .
Risadinhas da turma .
- Não se diz " nóis mudemo " menino ! A gente deve dizer : nós mudamos , tá ?
- Tá fessora !
- No recreio , as chacotas dos colegas : Oi , nóis mudemo ! Até amanhã , nóis mudemo !
No dia seguinte , a mesma coisa : risadinhas , cochichos, gozações .
- Pai , não vô mais pra escola .
- Oxente ! Módi quê ?
Ouvida a história , o pai coçou a cabeça e disse :
- Meu fio , num deixa a escola por uma bobagem dessa . Não liga pras gozações da mininada ! Logo eles esquece .
Não esqueceram . Na quarta-feira , dei pela falta do menino . Ele não apareceu no resto da semana, nem na segunda-feira seguinte . Aí me dei conta de que eu nem sabia o nome dele . Procurei no diário de classe e soube que se chamava Lúcio - L-ucio Rodrigues Barbosa . Achei o endereço. Longe , um dos últimos casebres do bairro . Fui lá , uma tarde . O rapazola tinha partido no dia anterior para cas de um tio , no sul do Pará .
- É , professora , meu fio não aguentou as gozações da mininada . Eu tentei fazê ele continuá , mas não teve jeito . Ele tava chatiado demais . Bosta de vida ! Eu devia di tê ficado na fazenda coa famia . Na cidade nóis não tem veis . Nóis fala tudo errado .
Inexperiente, confusa, sem saber o que dizer, engoli em seco e me despedi .
O episódio ocorrera há dezessete anos e tinha caído em total esquecimento , ao menos de minha parte .
Uma tarde, num povoado à beira da Belém-Brasília , eu ia pegar o ônibus , quando alguém me chamou . Olhei e vi , acenando para mim , um rapaz pobremente vestido , magro , com aparência doentia .
- O que é, moço ?
- A senhora não se lembra de mim , fessora ?
Olhei para ele , dei tratos à bola . Reconstituí mum momento meus longos anos de sacerdócio , digo de magistério . Tudo escuro.
- Não me lembro não , moço . Você me conhece ? De onde ? Foi meu aluno ? Como se chama ?
Para tantas perguntas , uma resposta lacônica :
- Eu sou " Nóis Mudemo " , lembra ?
Comecei a tremer .
- Sim , moço . Agora lembro . Como era mesmo seu nome ?
- Lúcio - Lúcio Rodrigues Barbosa .
- O que aconteceu ? Ah ! fessora ! É mais fácil dizê o que não aconteceu . Comi o pão que o diabo amassô . E êta diabo bom de padaria ! Fui garimpeiro , fui bóia fria , um "gato" me arrecadou e levou num caminhão pruma fazenda no meio da mata . Lá trabaiei como escravo , passei fome , fui baleado quando consegui fugi . Peguei fugi .Peguei tudo quanto é doença . Até na cadeia já fui pará . Nóis ignorante às véis fais coisa sem querê fazê . A escola fais uma farta danada . Eu não devia de tê saído daquele jeito , fessora , mas não aguentei as gozações da turma . Eu vi logo que nunca ia consegui falá direito . Ainda hoje não sei .
- Meu Deus !
Aquela revelação me virou do avesso . Foi demais para mim . Descontrolada comecei a soluçar convulsivamente . Como eu podia ter sido tão burra e má ? E abracei o rapaz , que me olhava atarantado .
O ônibus buzinou com insistência .
O rapaz afastou-me de si suavemente .
- Chora não , fessora ! A senhora não tem curpa .
Como ? Eu não tenho culpa ? Deus do céu ! Entrei no ônibus apinhado . Cem olhos eram flechas vingadoras apontadas para mim . O ônibus partiu . Pensei na minha sala de aula . Eu era uma assassina a caminho da guilhotina .
Hoje tenho raiva da gramática . Eu mudo , tu mudas , ele muda , nós mudamos , mudamos , mudaamoos, mudaaamooos... Super usada , mal usada , abusada , ela é uma guilhotina dentro da escola . A gramática faz gato e sapato da língua materna - a língua que a criança aprendeu com seus pais e irmãos e colegas e se torna o terror dos alunos . Em vez de estimular e fazer crescer, comunicando , ela reprime e oprime , cobrando centenas de regrinhas estúpidas para aquela idade . E os Lúcios da vida , os milhares de Lúcios da periferia e do interior , barrados nas salas de aula :" Não é assim que se diz , meni- no !" Como se o professor quisesse dizer : "Você está errado ! Os seus pais estão errados ! Seus irmãos e amigos estão errados ! A certa sou eu ! Imite-me ! Copie-me ! Fale como eu ! Você não seja você ! Renegue suas raízes ! Diminua-se ! Desfigure-se ! Fique no seu lugar ! Seja uma sombra !"
E siga desarmado para o matadouro da vida ...
(Fidêncio Bogo )
