
Os
habitantes de três grandes nações viviam um momento de intensa
celebração. Festejavam a colheita abundante, as sucessivas vitórias
nas batalhas, a ampliação dos seus territórios e a paz advinda da
aliança estabelecida entre as três - que eram as maiores nações.
Encontrou-os
assim um oráculo conhecido pela precisão de suas previsões. Tão
logo chegou o ilustre visitante e já trouxe grande desconforto ao
prever para as três nações uma grande tragédia.
A
primeira nação entrou em luto, pôs-se a lamentar, rasgou suas
vestes e, por todos os lugares que se percorria nela, havia sempre
alguém a lamentar a inevitável tragédia que lhes sobreviria.
Estagnação e desalento logo dominaram a nação que teve certeza da
sua extinção.
A
segunda nação acionou o setor de economia, cortou gastos e passou a
viver com o mínimo para poupar provisões a fim de usá-las no
momento em que a tragédia chegasse. Em todas as suas ruas via-se
pessoas correndo de um lado para o outro, semblantes fechados e
grande preocupação com o futuro. Os moradores viviam próximos a
tudo que conseguiram juntar e acreditavam que, por mais que tivessem
provisões, elas nunca seriam o suficiente para evitar sua extinção.
A
terceira nação também muito se alarmou. Reconhecendo que lidavam
com um grande problema, resolveram então entender melhor o que
estava por vir. Levantaram informações sobre o tipo de tragédia
que poderia acontecer, quem seria mais atingido, quem poderia
sobreviver a ela e o que restaria após a tragédia. Gastaram tempo a
partir daí, em criar estratégias de proteção, desenvolver as
habilidades que descobriram ser relevantes para a sobrevivência e
planejar para reconstruírem o que se perdesse. Em muito tempo não
se via tamanho interesse e crescimento coletivo naquelas paragens.
Dizem que esta nação existe até hoje e é denominada de “A
Grande”.
Dos que lamentam, dos que trabalham para o mínimo ou dos que buscam soluções?